Regresso às origens...
Baixo Alentejo, Mértola, S.Bartolomeu da Via Glória. Muitos anos de ausência. Uma viagem às origens. Alfacinha de gema, alentejana de coração. Viagem de carro. paisagem árida, repetitiva, dourada e familiar. Casas alentejanas brancas imaculadas, cuidadosamente caiadas. Aquelas casas que o meu pai sempre pintou. Aqueles quadros da sala de jantar. O sotaque charmoso alentejano. O sorriso que me traz à cara. A minha infância que desfila na minha cabeça. recordações dolorosas. As velhinhas de preto dos pés à cabeça. Com a tez curtida e queimada do sol. Nunca as conheci doutra forma. Os homens no café sempre de boina, de bengala, barrigudos e carecas, caras vermelhas do vinho, uma imagem rude. As mulheres dum lado, os homens doutro. Papeis sociais bem definidos. Conhecem-me e eu não conheço ninguém. Toda a gente é da minha família. Toda gente se diz meu/minha prima. Muitos cães vádios pela rua. Encontro com família. Uma capela no centro da aldeia. Um corpo que velo durante uma noite inteira. Uma experiência nova e triste. Alguém que foi sempre distante e no entanto esteve sempre perto. Um facis e corpo desconhecido e inanimado agora. madrugada adentro. Contam-me histórias da infância da minha avó. O Nome invulgar da minha avó. Esperança. Como o são todos os nomes alentejanos. Agradeço aos céus a não catolicidade Alentejanos. Rituais do velório e funeral, como manda a sapatilha. Convivo mal com a morte em geral. Noite em branco. Funeral. Lágrimas. Dor. É sempre tão definivo ver a terra a cair sobre o caixão. Não consigo tirar os olhos. E já toda a gente se prepara para ir embora. Fecham-se as portas do cemitério. A vida volta ao normal Regresso a Lx.
2 Comments:
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apagaste o comentário? agora tens de escrever outro que eu fiquei curiosa...
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